Eternamente Barra

Este projeto pretende resgatar, manter e catalogar, através da realização de um inventário participativo, os valores culturais da Comunidade da Barra do Jucu, localizada no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, a fim de integrar o acervo do Museu Vivo da Barra do Jucu, já iniciado com a implantação do Ponto de Memória e visando sua manutenção.

A Barra do Jucu é um importante reduto cultural do Estado do Espirito Santo. Peculiar pela resistência a um processo de aculturação urbana. Sua comunidade agrega artistas de diversas frentes ativas, incluindo bandas de congo, intérpretes, compositores, músicos, artesãos, artistas plásticos e grupos teatrais, dentre outros. Além disso, a Barra também é tradicionalmente conhecida por suas belezas cênicas protegidas por áreas de preservação ambiental e pelo patrimônio cultural material e imaterial, que resulta em uma culinária típica de frutos do mar, esportes aquáticos e festas tradicionais. Entretanto, essas características correm o risco de serem perdidas por fatores tais como a globalização da cultura e perda dos saberes tradicionais locais.  Este projeto visa buscar a afirmação da identidade cultural e sua manutenção na região onde está situada, de forma a manter vivas as próprias origens e raízes culturais, com a criação de um ponto de memória local. Foi idealizado no sentido de valorização de uma herança cultural presente e de resgate de muitas manifestações latentes ou até mesmo quase extintas, considerando o falecimento de grandes nomes das diversas manifestações.

OBJETIVOS GERAIS DO PROJETO: – Dar continuidade ao inventário participativo na comunidade e entorno; reforçar a identidade e expressão cultural da comunidade e entorno; resgatar antigas tradições e costumes da comunidade da Barra do Jucu; reafirmar e desenvolver um importante polo cultural do Estado do Espírito Santo;

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO PROJETO: – Manutenção e ampliação do ponto de memória virtual contendo todo o inventário realizado para acesso irrestrito de todo material inventariado à população; -criação de vídeos com os inventariados; abertura em horário de expediente da sede do Museu Vivo da Barra do Jucu para acesso constante ao público de todo o trabalho elaborado pelo ponto de memória, com apresentação de fotos e vídeos e ampliar para a população o acesso à cultura local.

Patrimônios arquitetônicos e ambientais

As ruínas

A Companhia de Jesus, ordem a qual pertenciam os jesuítas, foi fundada pelo Padre Inácio Loyola em 1534, no contexto da Contrarreforma Católica. No Brasil desde 1549, no Espirito Santo, os primeiros Jesuítas chegaram em 1551.

As ruínas jesuíticas da Barra do Jucu, estão localizadas onde era a grande Fazenda Araçatiba, que se estendia da primeira cachoeira do Rio Jucu, em Viana até a foz na Barra do Jucu, chegando na Ponta da Fruta.

Administrada por jesuítas a partir de 1716, a Fazenda Araçatiba, que serviu de moradia e ponto de apoio aos jesuítas, era um ponto estratégico para manter contato, por meio de tochas, com o Convento da Penha, a sede da Fazenda e o Morro da Fonte Grande, em Vitória. Situada às margens do Rio Jucu, que partir do século XVIII foi utilizado como atracadouro, época em o Rio Jucu foi ligado à Baía de Vitória por meio do canal que o unia ao Rio Marinho, as mercadorias da fazenda escoavam por este canal, datado de 1740, com 300 metros e que foi o primeiro a ser construído no Brasil, até a Vila Rubim.  

Há relatos de que Padre Anchieta passou diversas vezes pela Barra do Jucu, no século XVI, alternando o caminho que fazia de Vitória à aldeia de Reritiba, hoje município de Anchieta.

Localizadas no Rancho Forte, as ruínas jesuíticas fazem parte do roteiro cultural da Barra do Jucu