Mestre Vitalino e as Casacas

Rainha o seu brinco caiu
Deixe que eu apanho pra você
Rainha o seu brinco caiu
Deixe que eu apanho pra você
É de ouro é de prata,
É de bronze, ô rainha,
Deixa que eu apanho pra você

Jongo cantando pelas bandas de congo da Barra do Jucu

Casaca

Vitalino José Rego, atual presidente da banda Mestre Honório, produz as melhores casacas da região e as vende individualmente, como suvenir, ou em grupo, para a formação de bandas ou para bandas que já existem. Ele também tem projetos nas escolas para ensinar as crianças a produzirem esse icônico instrumento que só existe aqui no Espírito Santo. Ele e a esposa Beatriz fazem belos e coloridos desenhos nas casacas. É um produto tipo exportação, que já foi para o mundo todo e para grandes músicos brasileiros e mundiais. Ele inventou a casaca elétrica, com plug de captação sonora.

Várias pessoas já produziram casaca na Barra do Jucu, mas hoje apenas Vitalino produz regularmente esse belo produto. Com apoio, esta produção pode ter lugar para mais pessoas, tanto na confecção desse produto, quanto de outros que podem surgir relacionados ao Congo, levando a uma expressiva geração de renda para conguistas e agregados.

Para fazer as casacas Vitalino utiliza madeiras leves como a cacheta, o cedro, o pino, o bambu e o pendão da piteira. Madeiras de reflorestamento certificadas. A costela é feita de bambu, o corpo do pendão da piteira e a cabeça de outra madeira esculpida. A baqueta é feita de madeira resistente. A caixa acústica fica atrás da costela de bambu, é feita de pita. Arrastando a baqueta no bambu, tira-se o som.

A casaca é um instrumento tipicamente Capixaba, a cabeça é feita para facilitar a empunhadura. Esse instrumento tem alguns significados diferentes. Os índios que os criaram, tinham uma religião totêmica e a casaca é um totem. Os negros o apropriaram à sua realidade de escravos, representando nos instrumentos os senhores de escravos, os fazendeiros, que eram agarrados pelo pescoço pelos negros e levavam pauladas nas costelas, o som era o grito do senhor.

As partes da casaca são coladas e pregadas com tarugos, depois recebem uma base de tinta branca e desenhos e pinturas variadas. Hoje a cabeça pode homenagear várias pessoas diferentes e que são consideradas importantes, não só para o congo.

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