Barrense – História

Oficialmente, a data de fundação do Esporte Clube Barrense é 22 de abril de 1948. Mas a iniciativa de um grupo de rapazes, de escolher uma área para fazer um campo e formar um time para jogar “peladas”, aconteceu antes entre 1939 e 1940. Eram poucas as alternativas de lazer na época e o futebol já tinha se tornado paixão nacional, principalmente no eixo Rio/São Paulo. Nascia então o Cacique Esporte Clube que depois seria rebatizado de Esporte Clube Barrense.

O atual presidente do Clube (2017), Joel Leão, nasceu praticamente junto a formação do grupo. Com cinco anos ele já acompanhava o pai, Manoel dos Santos Leão (Noel), nas primeiras reuniões do o grupo de rapazes que fundaram o clube. Depois começou a jogar no time com 12 anos e hoje, com 74 anos, se lembra dos nomes desses jogadores: Alberto Ribeiro, Irio Leão, Noel Leão, Silvio Valadares Sobrinho, Jarbas de Abreu Mauro, o Maninho; Felizardo Lyra, Celeste Lyra, Astélio Lyra, João da Tapera e vários outros. Quem organizava e treinava o time era Domingos Maria Pereira. Todos eram moradores da comunidade.

Neste período estava sendo aberta a estrada para o Rio de Janeiro, hoje conhecida como Rodovia do Sol (principal via de acesso ao bairro). A área para sediar o campo ficou então bem próxima à estrada.

“Tudo era mata por aqui e a terra, um grande areal, era de todos. O grupo então demarcou uma área para o campo de 12 mil metros quadrados, nivelaram tudo na enxada, fizeram traves de madeira e então começaram as peladas nas tardes de domingo”. Joel Leão – Presidente

As peladas amadoras, descompromissadas, prosseguem até 1948. Nesse período o time já participava de disputas com times de fora, marcando a evolução da equipe. O time se torna oficial e muda de nome para Esporte Clube Barrense em 22 de abril de 1948.

Quem colaborou muito para a organização do time foi Seu João dos Santos Peniche, um sargento do exército que morava na Barra do Jucu. E foi formada então a primeira diretoria do clube: Seu Peniche presidente, Domingos Pereira vice e tesoureiro, Silvino Valadares Secretário. No Conselho estavam Alberto Ribeiro, Noel Leão e Sebastião Maria do Nascimento.

A escolha da camisa

Além de mudar o nome para Esporte Clube Barrense, eleger diretoria, era hora do time também ter uma camisa oficial. Depois de muitas idas e vindas, a equipe decidiu pela camisa tricolor do fluminense.

“Ninguém da diretoria torcia pelo fluminense e então foi escolhida essa camisa pois assim ninguém ficou chateado” – Joel Leão

Nesse período, o clube não possuía estrutura alguma, o campo era irregular, as marcações eram feitas com valetas escavadas ao redor do campo, e no meio era utilizada cal ou areia. Todos os jogadores jogavam descalços. Mesmo assim, em dia de jogos a torcida sempre lotava as imediações do campo e a comunidade se orgulhava do seu time de futebol.

Na década de 60 o time andava meio parado. Foi quando chegou na Barra do Jucu, vindo do Rio de Janeiro, Mario Braga. Ele montou um bar na comunidade e logo se envolveu com o time. Ele ajudou a reativar e incentivou o clube a melhorar a estrutura. Os jogadores passaram a jogar de chuteiras. E para aqueles que não podiam comprar o calçado, Mario Braga dava de presente. Vestiário também não existia, e a troca de roupas era debaixo da castanheira da casa do vizinho, o senhor Agenor Queiroz.

Mario Braga permaneceu à frente do time até 1972. Foi um período de muitas excursões para jogar fora de casa e o meio de transporte da equipe e da torcida era a carroceria de um caminhão sempre alugado. Seu Joel relembra que era uma animação só e assim o grupo foi jogar em muitos municípios do interior e em comunidades da Grande Vitória.

Depois assumiu o comando do clube Sélem Kumaria como presidente, Joel Leão tesoureiro e Ariston Maria do Nascimento na secretaria. Já bem estruturado, o clube conquistou um dos títulos que mais orgulha na sua história, o de Campeão Estadual da Copa Arizona de Futebol Amador, em 1977.

A copa era patrocinada pela Souza Cruz e como campeão estadual, o Barrense foi percorrer os gramados de outros estados da Região Sudeste, disputando com os vencedores de lá. Os resultados não foram tão bons, mas a experiência foi muito positiva para os barrenses.

As melhorias na estrutura do clube só acontecem nos anos 80, quando a Prefeitura de Vila Velha nivelou a área e foi a hora de gramar o campo. Seu Joel conta que, aos  domingos, a diretoria, os jogadores e torcedores saiam para recolher grama “por ai”. E foram dois anos para gramar todo o campo.

E assim, com melhores condições de campo, o clube além de ser um espaço de lazer e convívio social da comunidade, participa também dos campeonatos de futebol amador como ao Campeonato Amador Interligas, criado pela Federação Capixaba de Futebol, em 2000, e da Liga Vilavelhense de Futebol Amador.  Deste último o Barrense foi campeão em 2006, e do Interligas o time foi campeão em 2013 e vice no ano seguinte.

Dos 12 mil metros de área inicial, atualmente o Barrense ocupa uma área de 5.700 metros quadrados. Além do campo, o clube atualmente conta com vestiários, banheiros e um espaço onde a torcida se junta para assistir os jogos. Além do time próprio, formado por jovens da Barra do Jucu e de comunidades vizinhas. O clube também mantém uma escolinha de futebol onde a meninada se encontra, todas as terças-feiras, para aprender as técnicas do esporte.

A atual diretoria do Clube (2017) é formada por Joel Leão presidente, Sérgio Moreira da Silva vice, Erlito Canal secretário, Amilton Rosa (Tibil) diretor financeiro, José Alberto dos Santos diretor de esportes, e Jomar Norberto Soares (Pelezinho) Diretor de Patrimônio.

Jogadores

As equipes que jogavam no Barrense sempre foram formadas por jovens moradores da Barra do Jucu.  Passaram pelo time nomes como do goleiro Elias Vieira dos Santos, Marcos Nascimento, Ariston Maria Nascimento, Aloisio Roberto dos Santos, Toninho, Selem Kumaria, Riquinho, Carlinhos Pelado, Joel Leão,  Gilson Campos, Wilson Pé Branco, Wilson Ribeiro, José Guástico, João Batista Valadares, Vicente Ribeiro, Daniel Vieira dos Santos, Paulinho  Capeta, Paulo Valadares, Didi, Erilson Vieira Sampaio, Deosdete Vieira, Elson Valadares, Wellington Ribeiro.

A função de técnico cabia sempre a algum jogador que levava mais jeito para a ‘coisa’,  e esse papel desempenhado por jogadores como Mavega, João Mandioca e Xaréu. Mas muitos outros também assumiram esse trabalho. Atualmente o técnico da equipe  é José Alberto dos Santos, o Bentinho, atual diretor de esportes do Clube.

Significados

Morador da Barra do Jucu há 30 anos, o vice-presidente do Clube, Pedro Alves Cebim, considera o Barrense um patrimônio da comunidade.

 “Eu não vivo sem o Barrense. Aqui é um ponto de encontro. Sempre, aos domingos, depois da missa, venho para cá. Aqui nasceram muitas amizades e por isso cuidamos com todo carinho deste espaço.” Pedro Alves Cebim, vice-presidente

As manhãs de domingo são sempre animadas no estádio. São muitos times de base, do futebol de várzea, que alugam o campo para jogar sua “pelada”. Robson Braga, por exemplo, é a terceira geração de uma família que joga e participa da diretoria do clube. Seu avô Márcio Braga e seu pai Délio Braga foram diretores e jogadores do Clube. Robson jogou no clube por 17 anos. Depois, como veterano,  foi para “Boi de Raça” e hoje, depois dos 40, ele joga do time “Boi Cansado”.

“O Barrense foi referência de esportes para a minha geração. Só tínhamos aqui para jogar futebol e a praia como lazer. O Barrense é como se fosse parte da minha família. Outro fato importante para nós é que ele sempre foi administrado por pessoas, famílias da Barra, nunca por pessoas de fora”. Robson Braga – Ex-jogador.

Veja aqui fotos do Barrense.